Groenlândia (português brasileiro) ou Gronelândia (português europeu) (em gronelandês: Kalaallit Nunaat, "nossa terra"; em dinamarquês: Grønland, "terra verde") é uma região autónoma do Reino da Dinamarca. O seu território ocupa a ilha com o mesmo nome, considerada a maior do mundo, além de diversas ilhas vizinhas, ao largo da costa nordeste da América do Norte. As suas costas são banhadas a norte pelo oceano Glacial Ártico, a leste pelo mar da Gronelândia, a leste e sul pelo oceano Atlântico e a oeste pelo mar do Labrador e pela baía de Baffin. A terra mais próxima é a ilha Ellesmere, a mais setentrional das ilhas do Arquipélago Ártico Canadiano, da qual está separada pelo estreito de Nares. Outros territórios próximos são: no mesmo arquipélago canadiano, a oeste, a ilha de Devon e a ilha de Baffin; a sudeste a Islândia; a leste a ilha de Jan Mayen e a nordeste o arquipélago de Esvalbarda, ambos possessões da Noruega. Apesar de integrar o continente da América do Norte, a Groenlândia tem estado política e culturalmente ligada aos reinos europeus da Noruega e da Dinamarca há mais de um milénio, desde 986. O território foi habitado intermitentemente ao longo dos últimos 4.500 anos por povos circumpolares, cujos antepassados migraram do atual Canadá. Os nórdicos da Noruega estabeleceram-se na parte sul da Groenlândia, na altura desabitada, a partir do século X (após terem povoado a Islândia), e os seus descendentes viveram na ilha durante cerca de 400 anos, desaparecendo no final do século XV. Os Inuítes chegaram no século XIII. A partir do final do século XV, os portugueses tentaram encontrar a rota do norte para a Ásia, o que resultou na primeira representação cartográfica da linha de costa. No século XVII, exploradores dano-noruegueses voltaram a alcançar a Groenlândia, encontrando os antigos assentamentos extintos e restabelecendo uma presença escandinava permanente. Quando a Dinamarca e a Noruega se separaram em 1814, a Groenlândia passou da coroa norueguesa para a dinamarquesa. A Constituição da Dinamarca de 1953 pôs fim ao estatuto de colónia da Groenlândia, integrando-a plenamente no Estado dinamarquês. No referendo de 1979, a Dinamarca concedeu a autonomia regional (home rule) à ilha. No referendo de 2008, os groenlandeses votaram a favor da Lei de Autogoverno, que transferiu mais competências do Governo dinamarquês para o executivo local, o Naalakkersuisut. Sob esta estrutura, a Groenlândia assumiu gradualmente a responsabilidade por diversas áreas de competência governamental. O Governo dinamarquês mantém o controlo da cidadania, política monetária, defesa e negócios estrangeiros. Com o degelo provocado pelo aquecimento global, a abundância de recursos minerais e a sua posição estratégica entre a Eurásia, a América do Norte e a zona ártica, a Groenlândia detém uma importância geopolítica crucial para o Reino da Dinamarca, a OTAN e a União Europeia. Desde 2025, os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, exercem pressão diplomática sobre a Dinamarca para adquirir a ilha ártica, desencadeando a crise da Groenlândia. A maioria dos residentes da Groenlândia é inuíte. A população concentra-se sobretudo na costa sudoeste, devido a fatores climáticos e geográficos, permanecendo o resto da ilha quase despovoado. Com 56.583 habitantes (2022), a Groenlândia é o país com menor densidade populacional do mundo. O território é socialmente progressista, à semelhança da Dinamarca continental; a educação e a saúde são gratuitas e os direitos LGBTQ são dos mais abrangentes a nível mundial. Sessenta e sete por cento da produção elétrica provém de fontes renováveis, maioritariamente através de energia hídrica.